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Sábado, 15 de Novembro de 2008

Amem as Crianças

Hoje estou indignado, chocado! E de tal forma que não sei, se o que vou transmitir irá seguir as normas de escrita perceptível.
Sou Relaixo de Nickname no Blogue, mas não Relaixado.
E mesmo que o fosse seria no bom sentido da palavra, tenho sentimentos, "penso logo existo".
Por vezes no nosso dia-a-dia observamos situações que nos revoltam, e mexem com todos os mais puros e delicados sentimentos. Vou tentar ser breve, e deixar que as palavras já escritas e à muitos lidas e relidas falem por si.
No dia 13/11/2008 no metropolitano da linha verde sentido Campo Grande - Cais do Sodré, na Estação de Alvalade aquela criança deveria provávelmente desejado, não ter nascido...
Entrei na estação do C. Grande, e logo me apercebi que um casal com 2 crianças, a mãe com um bebé de colo, e uma outra criança de 5 ou 6 aninhos de pé ao lado do (supostamente?) pai, e estavam um pouco exaltados. A viagem é curta como se sabe, mas o suficiente para os ânimos do casal subirem de tom. Quando o combóio pára na estação de Alvalade, a mãe sai com a bebé de colo e como a outra criança não saiu de imediato, por estar a meio do rodar-se no varão central que existe nas carruagens, "brincadeira própria das crianças", o pai não vai de modas, dá um chapadão na nuca do pequenito de tal forma e força, que a coitadinha da criança só parou no chão da gare. Fervi de exaltação! Mas como se sabe, o tempo de paragem e portas abertas do metro é muito diminuto por isso, do espanto à reacção, já não fui a tempo de sair em ajuda do pequenito. O comboio ínicia o seu andamento mas, naquele curto espaço de tempo antes de entrar no tunel, deu para ver que a criança já de pé e a chorar, continuava a levar porrada do (Supostamente?) pai. Mais não vi, mas o que vi, foi suficiente para entender que numa desavença de adultos, as crianças se estiverem por perto normalmente é nelas, que este tipo de pais descarrega os nervos da pior forma, ou seja verbal e fisicamente. Possivelmente se as portas não se fechassem tão rápidas talvez não estaria aqui hoje a escrever!!! Percebem porquê...
Cheguei a casa, abraçei a minha filha de 6 anos e enchia de beijos na esperança que alguns deles por qualquer via infantil, chegassem aquele menino agredido brutalmente. Fiquei frustado por não conseguir fazer nada. Por isso faço este Post, alusivo à situação vivida in loco. Vasculhei nos meus arquivos informáticos, e nada mais oportuno que relembrar hoje um anúncio que foi premiado Internacionalmente.
O meu nome é "Sara"
Tenho 3 anos
Os meus olhos estão inchados,
Não consigo ver.
Eu devo ser estúpida,
Eu devo ser má,
O que mais poderia pôr
O meu pai em tal estado?
Eu gostaria de ser melhor,
Gostaria de ser menos feia.
Então, talvez a minha mãe
Me viesse sempre dar miminhos.
Eu não posso falar,
Eu não posso fazer asneiras,
Senão fico trancada
Todo o dia
Quando eu acordo estou sozinha,
A casa está escura,
Os meus pais
Não estão em casa.
Quando a minha mãe chega,
Eu tento ser amável,
Senão eu talvez levaria
Uma chicotada à noite.
Não faço barulho!
Acabo de ouvir um carro
O meu pai chega,
Do bar do clube
Ouço-o dizer palavrões
Ele chama-me
Eu aperto-me
Contra o muro
Tento-me esconder
Dos seus olhos domoníacos
Tenho tanto medo agora.
Começo a chorar.
Ele encontra-me a chorar,
Ele atira-me com palavras más,
Ele diz que a culpa é minha
De ele sofrer no trabalho.
Ele esbofeteia-me e bate-me,
E berra comigo ainda mais,
Eu liberto-me finalmente
E, corro até à porta.
Ele já a trancou.
Eu enrolo-me em uma bola,
Ele agarra em mim,
E lança-me contra o muro.
Eu caio no chão com os meus ossos
Quase partidos,
E o meu dia continua,
Com horriveis palavras...
"Eu lamento muito!",
Eu grito mas já é tarde demais
O seu rosto tornou-se,
Num ódio inimaginável.
O mal e as feridas, mais e mais,
"Meu Deus por favor, tenha piedade!
Faz com que isto acabe por favor!"
E finalmente ele pára, e vai para a porta
Enquanto eu fico deitada
Imóvel no chão.
O meu nome é "Sara" tenho 3 anos,
Esta noite o meu pai "matou-me"

Este anúncio foi premiado
internacionalmente,
Mas não passou na nossa televisão, em Portugal.
Porque será???
O Instituto de Apoio à Criança criou em 1988, O SOS Criança - Serviço anónimo e confidencial de Âmbito Nacional de Apoio às Crianças, Jovens, Famílias, Profissionais e Comunidade. Como podes contactar o SOS Criança? Se ligares de um telefone fixo (chamada gratuita) 800 20 26 51, ou
Se ligares de um telemóvel (chamada paga) 21 793 16 17
Morada: Apartado 1582, 1056-001 Lisboa
E-mail: soscrianca@net.sapo.pt
As crianças por vezes esqueçem o que lhes dizemos... Mas nunca esqueçem a forma como as tratamos!!!

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